quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cultura NÃO é terapia



O que o saddhu acima está fazendo? (responda)

a) Uma terapia oriental para melhorar a saúde?
b) Dormindo?
c) Buscando pelo domínio do corpo e psiquismo afim de obter o estado de auto transcendêcia?
d) Tratando sua dor ciática?

Publiquei o texto abaixo no jornal Tribuna de Petrópolis e foi impressionante o número de pessoas que se sentiram felizes com esta colocação:

O Yoga é uma cultura que trata sobre o estado de unicidade e possui milhares de técnicas que têm por objetivo preparar todos os níveis humanos para que este estado seja vivenciado da melhor forma possível.

Assear a corpo com água e sabonete não é terapia, é um ato de bom senso. A limpeza e manutenção de órgãos internos e do psiquismo propospotos pelo Yoga nada mais é que uma medida necessária para se atingir o estado de lucidez objetivado pelo mesmo. Trata-se de um meio e não de um fim.

Qualquer pessoa que se proponha a estudar o Yoga identifica que ele não tem a ver com terapia.

O Yoga tem por fito levar o praticante ao estado de túrya, samádhi, moksha e não de curá-lo. Claro que o Yoga rende benefícios físicos e psíquicos, isto porque precisamos de um corpo forte, saudável e livre de memórias viscosas para que possamos nos aproximar destes estados de consciência.

Na Índia é comum vermos sadhus com o corpo atrofiado por permanecer meses, anos em um mesmo ásana. Seu ásana não aumentou a estética pessoal, nem melhorou suas funções biológicas, pelo contrário. Mas se perguntá-lo o porquê desta atitude vamos encontrar a resposta que irá rechaçar de vez a palavra "terapia" do Yoga (mas certamente a resposta está sob nosso nariz e não precisamos ir até um sadhu para encontrá-la).

O Yoga, como uma cultura milenar possui um corpo canônico vasto e complexo e um corpo técnico não menos profuso.

A música é uma cultura, uma arte, exige-se total dedicação de do cantor ou instrumentista. Horas de estudo, horas de ensaio, preparação também do corpo, aquecimento da voz, afinação do instrumento. Uma vida inteira dedicada a esta arte até que se possa pisar em um "Municipal". Imagine aquele pianista que perdera os movimentos das mãos de tanto treinar vendo a música sendo reduzida à terapia.

O trabalho do bailarino não é menos árduo, suor, horas de ensaio, dor, uma vida dedicada á dança, joelhos feridos, marcas pelo corpo, exaustão.

E com o Yoga também não é diferente, uma cultura em que o yogin pode mergulhar pelo resto de sua vida e mesmo assim pouco terá vivenciado.

Patch Adams foi genial ao dizer "a arte não precisa de ajuda da palavra "terapia".

O Universo do Yoga precisa tanto quanto, porque é também uma arte, uma filosofia, uma cultura. E a palavra terapia é muito ínfima para comportar todo este universo.
Claro que existe dança-terapia, musicoterapia, yogaterapia, todavia estão anos luz de serem A Dança, A Música, O Yoga. São sim terapias com práticas inspiradas nestas artes.

Patch Adams: Não concordo com “rir é o melhor remédio”. Eu nunca disse isso. A amizade claramente é o melhor remédio. É a coisa mais importante na vida. São nossas relações com aqueles que amamos. Infelizmente, os meios de comunicação, sendo como são, muito antes de me conhecer, imaginam que rir seja o melhor remédio. Então, quando escrevem o artigo, põem essa frase porque o fazem, na realidade, sem pensar. Também quero corrigir a ideia de que rir seja uma terapia. Também nunca penso em música como terapia, nem em arte, nem em dança. Nunca precisam da palavra “terapia”, que é pequena para ajudar. A arte não precisa de ajuda da palavra “terapia”. É a cultura humana. Não fazemos terapia de cultura.

A entrevista na íntegra:

http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/182/entrevistados/patch_adams_2007.htm

2 comentários:

Potira disse...

Fabio,

Li sobre a tua viagem no blog da Mony e adorei vir aqui ler um pouco mais...

Virei seguidora dos teus blogs, assim não perco nenhuma das tuas atualizações.

=)

Fabio Goulart disse...

Seja bem vinda Potira!:)