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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Upadesha



O programa "Upadesha" visa favorecer a otimização do trabalho do professor de Yoga, atendendo às suas necessidades. Este programa é uma das atividades propostas pelo movimento Todo dia é dia de Yoga, desta vez preocupando-se com o professor.

Este espaço será utilizado como uma das ferramentas deste programa, rendendo informações tanto aos professores quanto aos alunos.

Om namah Shivaya!

www.tododiayoga.blogspot.com

A vida dos Saddhus



Passei dois meses, por várias cidades da Índia, observando as atividades diárias dos saddhus, homens e mulheres que largaram tudo para trás para se dedicar unicamente à sua filosofia. Um estilo de vida tão contrastante com o de quem vive nas metrópoles, impactatos pelo capitalismo... Os saddhus possuem apenas suas poucas mudas de roupa e uma tigela que usam para pedir alimentos, errantes seguem um caminho ímpar. Minha pesquisa foi sobre as tradições tántrikas e ter travado contato com estes personagens foi algo profundo, despertando muitas questões dentro de mim. Questões que me deixam um pouco inquieto, exigem uma reformulação do estilo de vida, maneira de pensar e como é bom ter um contínuo convite à mudança de estilo de vida e paradigmas.

Muitas vezes fui até os saddhus conversar com eles, participar de suas práticas, receber suas bênçãos, mas muitas vezes me retirei, fitando de longe suas atividades, das mais simples às mais contundentes.

Um dia, por volta das 3 da manhã, eu perambulava pelas ruas de Rishikesh, o silêncio era delineado pelo som constante das águas do Ganges e pontuado por sinos tocados em templos distantes. Continuei caminhando, até que comecei a ouvir um cântico, com sabor antigo, vozes firmes e tocantes o entoava. Desci pelos ghats,escadaria que leva ao Ganges e avistei um grupo de saddhus cantando. Fiquei muito emocionado com o coração batendo muito forte. Reverenciavam Shiva em seu aspecto de Vishwanatha.

Me sentei no ghat e fiquei observando e cantando bem baixo, participando de longe, com reverência. Assim que encerraram,um deles veio até onde eu me encontrava e me sorriu, ficamos conversando durante muito tempo, contei que aprendia muito com eles.

Passei então 4 dias com este grupo de Saddhus às margens do Ganges. Lembro de um lindo desejo de uma amiga, que gostaria de passar uma noite em um barco de um pescador, observando a lida. Tomado pelo mesmo espírito decidi permanecer com eles e dormir ali mesmo, ao relento e descobri então uma vida oculta durante a madrugada às margens do Ganges. Seus ritos, seus cânticos, práticas e simplicidade me renderam uma experiência sem par, algo muito importante para mim.


Nasmastejí!

Naked In Ashes

Para quem deseja conhecer melhor a vida dos Saddhus, há um excelente documentário chamado Naked in Ashes e que hoje está disponível na internet. Assista e depois me conte o que você achou:



Fabio Goulart

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Poema de Kabir


Ó, ser liberto, eu sou o Yogi de muitas eras:não venho, nem vou, tampouco me esvaneço;eu saboreio e desfruto o Som Não-Percutido.Em toda direção, vejo apenas uma coleção e um carnaval de mim:estou em todos e todos, em mim;sou eu apenas, absolutamente só.Eu sou o siddha, eu sou o samadhi:eu sou o que silencia, eu sou o que fala;a forma é minha própria forma manifestando o sem-forma.Eu sou aquele que joga o jogo consigo mesmo.Kabir diz: escuta, ó sadhu! Já não há mais desejo.Estou flutuando em mim mesmo, em minha própria cabana,brincando sem esforço por vontade própria.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Carma-Cola

Há alguns anos li um livro de uma autora indiana chamada Gita Mehta. Neste livro Mehta vai traçando histórias (reais) com seu humor ácido e consegue nos render boas gargalhadas.
Uma pessoa me devolveu este livro expressando tanto nervosismo que chegava a tartamudear. Dizia que nunca lera tamanha barbaridade, que o livro era uma afronta à espiritualidade e assim por diante.


De certa forma as histórias contidas no Carma-Cola podem ferir o universo de algumas pessoas. Me sinto feliz por poder ler o livro com uma certa distância de seus casos.


Lanço aqui no blog uma pitada do Carma-Cola, mas é muito válido se adquirir o livro.


Há outro guru que estimula a fé de seus seguidores num estádio de futebol de Delhi prometendo uma prova da existência de Deus. O homem tem sido visto realizando milagres às pencas, de tal forma que as pessoas estão predispostas a lhe conceder insight sobrenatural na lógica e na semântica. As massas esperam resfolegantes.O guru lhes informa, por meio de um tradutor simultâneo, que Deus existe porque se você olhar no Dicionário de Inglês de Oxford, na letra G, acabará encontrando a palavra God. Triunfal, o guru ergue seus braços curtos abençoando a platéia perplexa mas crente, sentada em fileiras apertadas no vasto campo onde, seis horas antes, atletas suados correram atrás de uma bola, e anuncia:"Está no dicionário. Aqueles que duvidam da existência do divino, que procurem a prova no dicionário. Como poderia o que não existe estar no dicionário?".O número de adeptos desse guru se tornou tão grande nos últimos anos que ele tem agora de dar sua bênção de um helicóptero. No seu aniversário, hinos de louvor irrompem das gargantas de um milhão de crentes terrenos, dirigidos à pequena pinta cor de laranja de certeza acenando para eles de uma máquina voadora.(Pág. 107)


Um ashram na Índia costuma transplantar terapias californianas populares para celas forradas de couro no porão de suas instalações. O criador de uma das terapias de toque mais avançadas veio da Califórnia visitar o ashram e verificar pessoalmente o tipo de sucesso que suas técnicas de grupo de encontro estavam tendo num ambiente religioso indiano.(Pág. 44, 1o.)

( Gita Mehta. Carma-cola: o marketing do Oriente místico)

terça-feira, 10 de março de 2009

Tapás para a estética corporal!

Muitas pessoas deixam de lado a malhação, porque não encontram nela muito sentido e acabam se identificando completamente com o Yoga, uma cultura milenar.

Homens e mulheres descobrem o Yoga como uma fonte que oferece auto conhecimento, qualidade de vida e acredite: estética corporal. Claro que o fazem sem banalizar o Yoga.


Sempre gostei de dar aulas em academias, isto porque as pessoas chegam desejando um corpo sarado e acabam descobrindo que o Yoga não é bem isso, o corpo fortalecido e estético é um benefício muito pequeno diante do que o Yoga pode oferecer. Mas ele é importante para muitos, não há nada de errado em desejar estar mais bonito, desde que o façamos de forma saudável.

Yoga não é só ásana, o verdadeiro yogin é aquele que pratica Yoga quando faz qualquer atividade, isto porque o faz com uma visão diferente, sem que com isto se distancie do mundo.

Mas, sempre que o assunto em pauta é “queima de gordura” alguém recomenda exercícios aeróbicos e o Yoga, neste caso, fica de fora.

Fica de fora porque Yoga não é exercício físico, os ásanas, técnicas psicofísiológicas nascem de atitudes interiores, são formas de se peneirar e trabalhar memórias diluídas entre as fibras musculares e células, são meios de dissolver os “vrittis”(modificações da consciência, chitta*) e obter o foco necessário à meditação. Ásana ilumina!


Gasto calórico não é exclusividade da educação física, até beijar e dormir são exercícios que despendem gasto calórico. Alguns estudos apontaram para o fato de que algumas sequências de ásanas constituem exercícios aeróbicos, como o súrya namaskára!

Portanto para quem deseja perder peso, pratique surya namaskára e lembro sobre o que diz Shankara em seu Tattwa Bodha: “o corpo físico é feito de alimentos. Da ess~encia do alimento ele se nutre, da essência do alimento ele deteriora”. Portanto uma boa alimentação, rica em alimentos funcionais, e muitas sequências do súrya namaskara será a combinação perfeita para quem deseja perder medidas.

Todos sabemos que um abdome sem gordura é sinal de saúde, além de estética. Há inúmeros ásanas que esculpem o abdome. Se não deseja uma hipertrofia exagerada, não precisa colocar sua coluna sob uma “roleta russa” de 500 abdominais diários.


A estética, como tudo, vem de nosso interior e abrilhanta nosso corpo.

“O surya namaskara parece adequar-se bem à mo­dalidade dos exercícios ditos aeróbios, e ainda apresenta o benefício da realização de alongamentos estáticos e dinâmicos, que conferem ao praticante apurada flexibilidade.”

“Se assumirmos que esta média de dispêndio calórico é correta, podemos hipotetizar que uma aula com­pleta de yoga (modalidades vigorosas) requeira do praticante um dispêndio total de 397,95 quilocalorias, o que se aproxima do gasto calórico de modalidades esportivas mais rigorosas e dinâmicas, como ginástica de academia e pedaladas indoor (aulas com bicicletas estacionárias).”

Adalberto Tripicchio MD PhDpsiquiatra - logoterapeuta
*Chitta (Consciência vulgar): Manas –ahamkara – Buddhi

segunda-feira, 9 de março de 2009

Vigor!


Uma vida corrida, sem poder se dar o direito ao lazer e ao repouso vai afetando muitas áreas importantes na vida de uma pessoa. Entre elas a sexualidade. Foi o que foi apresentado ontem em uma reportagem que assisti e decidi escrever este pequeno artigo. Pequeno porque há muito mais para ser tratado em relação à estes temas, mas prefiro ser mais objetivo e levar até você uma técnica bastante eficaz.

É sempre bom lembrar que Yoga não é uma terapia, seus benefícios se dão por uma questão de maior atenção voltada para si próprio. Dançar, tocar um instrumento, namorar, tudo isso rende efeitos benéficos e não são terapias.

O Yoga auxilia na redução do estresse até um nível saudável, o que devolve o direito à saúde. Além disso há alguns ásanas que contribuem para o aumento de suprimento de sangue nos órgãos sexuais.

Upavishtakonásana

Com as pernas bem afastadas e os ísquios bem firmes sobre o solo (sem acentuar a curva lombar), o praticante inspira elevando os braços lateralmente e exala levando o tronco à frente, segurando cada perna com as mãos. A força no braço e a coordenação da respiração com os movimentos auxiliam o progresso no exercício deste ásana.

Desta forma ele alonga os tendões das pernas, os músculos posteriores das pernas e músculos das costas. Através da pressão intra abdominal ele estimula os órgãos do abdômen.

Este asana, como todos os de abertura pélvica, estimula o muladhára chakra, responsável pela estabilidade física e psíquica.

O aumento do fluxo sangüíneo na pélvis otimiza a função dos órgãos sexuais, estimula as glândulas sexuais. O melhor funcionamento destas glândulas possui um profundo impacto psicofisiológico. Este impacto pode mudar a vida do praticante, gerando mais energia (ojas), força de vontade(virya) e felicidade.

O emprego do mula bandha afim de potencializar o exercício é interessante porque esta técnica também estimula as glândulas sexuais e fortalece o assoalho pélvico.

O movimento das primeiras vértebras lombares e o alongamento dos músculos desta região eliminam a dor nas costas, portanto tratam-se das vértebras mais difíceis de serem empregadas nas ante flexões do Yoga. Por isso é importante a aplicada do auto estudo e muita consciência durante a execução dos ásanas.

Segundo Iyengar este ásana alivia a dor ciática, previne hérnia, e aumenta o suprimento de sangue nos órgãos da pélvis.
Fabio Goulart